domingo, 16 de novembro de 2014

Brejo Santo "Hérlon Fernandes Gomes"

É aqui onde me ajoelho e beijo a terra,
Corpo da metafísica enigmática da semente.
É nesta terra onde sepulto silenciosamente meus dramas
Porque ela me conhece as linhas do coração
Como o sabe o quilate dos seixos enveredados de onde persigo.
É aqui onde me dispo, porque aqui aprendi a ser nu,
Natural como os marmeleiros que perfumam as cercas,
Livre como a luz, inconsequente ao invadir a escuridão.
É aqui onde não me perco, porque todos os ventos me são cúmplices,
O tempo me entrega os ponteiros e eu escolho as eras:
Visito praças em que ainda sou menino,
Enceno em palcos que me quis artista
Brindo em copos com quem só fui festa.
É aqui a estação de onde mais me dói partir
Porque minha mãe me acena distante do trem
Enquanto me abençoa os sonhos e me prediz o melhor futuro.
É aqui onde me reconheço e por isso retorno
Quando a essência de mim sugere se esquecer
Então eu volto em busca dos originais contornos
Ao som das zabumbas, com gosto de peroba,
Esquecido de angústias, animado de encantos.
***

É aqui onde me ajoelho e beijo a terra,
Porque esse chão me sabe ser firme e santo.

Hérlon Fernandes Gomes

2 comentários:

Hérlon Fernandes Gomes disse...

Obrigado, Maria de Lourdes, seu blog é lindo! Que nossa cultura seja próspera, como a alma do sertaneja em época invernosa.

Maria de Lourdes disse...

Olá Herlon! Fico muito feliz por você ter visitado o meu blog. Tomei a liberdade de postar o seu poema, tão rico de detalhes e sentimento próprio de quem ama de verdade a sua terra natal. Amo tambem a minha terra, aí estão as minhas raízes e se tenho olhos para ver esse mundo de Deus é porque carrego como herança da minha terra olhos de ver e ouvidos de ouvir. Obrigada pelo seu poema que enriquece o meu blog.
Grande abraço!