segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Raizes II

Aprendi a gostar e admirar a música nordestina através do meu pai, conforme já descrevi.

E falar do meu pai, é uma das coisas que gosto muito porque jamais posso esquecer-me desta pessoa que foi o Meu Pai e que vou amar eternamente.

A história do meu pai, para mim, é um exemplo de vida, e não é porque eu seja a sua filha, mas pela grandeza da sua alma.

Meu pai era uma pessoa simples, nasceu numa cidade do Rio Grande do Norte. E ao se casar com a minha mãe, saiu do Rio Grande do Norte para trabalhar em uma cidade de Minas Gerais, pois era um exímio carpinteiro e a convite de um amigo foi para trabalhar em uma empresa de carpintaria e por lá ficou algum tempo, até que em um determinado dia recebe a notícia de que a empresa mudaria pra São Paulo.

Mas meu pai decidiu que não acompanharia a empresa, voltaria para a sua terra natal que era o Rio Grande do Norte.

Eu, pessoalmente, jamais tive a oportunidade de ver alguém amar tanto a sua terra natal igual ao meu pai. Sabia de toda a história que envolvia a sua terra, de todos os pontos turísticos e geográficos. Ele falava que o motivo de não acompanhar a empresa que trabalhava era o receio de nunca mais ver a sua terra e a sua família. Naquelas épocas, São Paulo era uma cidade distante, ou talvez um sonho ou uma ilusão e meu pai era daquelas pessoas que gostavam dos pés no chão. Não houve promoção, nem ofertas para fazê-lo mudar de ideia.

E por este motivo resolveu retornar, quase sem condições financeiras nenhuma, mas como era um homem muito trabalhador enfrentou a volta sem medo, viajando em um pau de arara, numa viagem que demoraria mais de oito dias. (Não sei exatamente quantos dias duravam essa viagem)

E assim é que foi. Estradas de pó e poeira, uma mala com algumas roupas e um saco que chamavam de matulão com suas ferramentas ou seja: martelo, serra, serrote etc.

E assim eu ouvia a minha mãe cantarolando pela cozinha aquela música que retratava exatamente tudo quanto eles viveram, e as dificuldades que passaram.

A história do meu pai é uma história simples, como outra qualquer, mas foi a sua história e os seus exemplos que formaram o caráter dos seus filhos que viriam mais tarde.


É mesmo muito difícil para mim relembrar tudo isso. E ao ouvir essas músicas, no pensamento vem as lembranças da minha mãe. Organizada e cuidadosa preparando o almoço para os seus filhos, cantarolando pela cozinha e eu um pingo de gente, era a mais feliz das criaturas e não sabia.


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